Sou da geração anos 80. Pós-ditadura militar. Pós-drogas e rock and roll. Pós- sexo sem camisinha. Pós-exílio. Pós-bossa nova.
Somos uma geração nascida na “calmaria”, na acomodação de uma era.
Não tivemos ditadura. Não tivemos que lutar, para que, as mulheres tivessem mais direitos. Não tivemos que ficar em silêncio, com medo de sermos mortos ou gritar e lutar por um ideal, correndo riscos.
Nascemos e um presidente morreu. Mas não tem problema! Outro assumiu. NO STRESS. E depois desse mais outro e mais outro.....
E nesses anos, enquanto crescíamos ao som de Xuxa e assistindo Pica-pau, ouvíamos na Tv, uma palavra naquela época, nova para nós. CORRUPÇÃO, essa era a palavra! Nunca mais a esquecemos, pois passamos nossos anos ouvindo-a, inúmeras vezes.
E então surge um novo presidente. Um mais moderninho, um playboy. Há uma abertura de mercado. Chegam os “produtos importados”. Uma criança de hoje, não sabe a alegria que nós, crianças anos 80, já em 90 e poucos tínhamos ao comprar uma bala ou chocolate importado dos EUA. Ou um chiclete japonês. É, a gente era feliz!
Mas pouco depois, nosso “querido” presidente se enrola todo. Há o congelamento das contas bancárias. Pessoas vão à falência. Muitas pessoas. A nação se desespera. Alguns se suicidam. Ele promete que irá devolver nosso dinheiro. Mas quando??? E logo depois surge o escândalo com PC Farias, capas de Veja, corrupção.....
E então, surge mais uma palavra nova no nosso vocabulário: IMPEACHMENT.
Mas a minha geração não participou de todo aquele processo, das manifestações. Tínhamos apenas 12, 13 ou 14 anos. Ainda não tínhamos grandes ideais.
Aquela geração era uma anterior a minha. Eles ainda tinham a lembrança de uma época de ditadura, das DIRETAS JÁ. Da volta do exílio, da luta pela liberdade de expressão, da luta pela democracia. De ter esperança, em querer mudar o nosso país. De acreditar nele.
E assim nós crescemos. Ouvindo Xuxa, Dominó e mais tarde bandas internacionais. E ouvindo sempre aquela palavra, que aprendemos alguns anos atrás... a tal CORRUPÇÃO. E acabamos nos acostumando com ela.
A minha geração não quer salvar o mundo. Somos da geração Guerra-fria. E agora guerra-covarde. Vence quem tem o míssil de maior alcance e precisão. E não o melhor exército. Mas na verdade, ninguém vence. Guerra é movida não por ideais, mas por ganância. Só traz destruição, mortes.
A minha geração não acredita em política. Nosso presidente É a corrupção. Mas não só ele. Toda sua cúpula. Seus braços direitos e esquerdos e até seu ausente dedinho. Tudo impregnado de corrupção, sujeira, roubo e impunidade.
E por quê não fazemos nada?
A maioria pensa: “Lutar por quem, por quê e para que?”
Trocam-se os partidos no poder, mas não mudam os ideais dos políticos. Que ao invés de pensarem e realizarem a construção, preferem a corrupção. Roubam os eleitores, os velhos, as crianças, as famílias que os elegem.
Roubam nosso dinheiro, nossos impostos, nossa saúde, nossa educação, nossa dignidade. Roubam principalmente, a nossa esperança. Nossos ideais. Nossa crença no futuro do nosso país.
Cadê o Brasil, o país do futuro??? Aquele que nossos professores nos prometeram no ginásio e que chegaria logo? Ainda esperamos por ele. Ainda queremos acreditar nele. Mas poucas esperanças nos restam...
Os economistas andam dizendo que o Brasil deve crescer 6% esse ano e que será a quinta maior potência mundial em 2020. Será???
Será esse mais um ano de eleição ou de decepção? Está na hora de pensarmos nisso!